Plano de cargos e salários
Como montar um plano de cargos e salários
As etapas de um plano de cargos e salários, quem participa, o que reunir antes de começar e os erros que mais atrasam o projeto.
Um plano de cargos e salários (PCS) é o conjunto de regras que define quais cargos a empresa tem, quanto cada um vale em relação aos outros e quanto pode pagar por ele. Na prática, ele troca a decisão salarial caso a caso por uma régua comum, que vale para todas as áreas.
O plano não é uma tabela solta. Ele nasce de etapas encadeadas, e cada uma depende da anterior. Pular uma etapa costuma aparecer mais tarde como faixa que não fecha, cargo mal posicionado ou custo que ninguém previu.
Por que vale a pena ter um plano
Pedido de aumento com resposta objetiva
A conversa passa a ser sobre a faixa do cargo e a posição da pessoa nela, não sobre quem pediu.
Desigualdade medida
A empresa enxerga quem recebe abaixo ou acima do esperado para o cargo e quanto custa corrigir.
Reajuste com custo previsto
O efeito na folha é simulado antes de aplicar, por mês, por ano e por área.
Carreira visível
As pessoas entendem o que muda de um cargo para outro e o que é preciso para crescer.
Ponto de atenção jurídico. A CLT, no artigo 461, trata a equiparação salarial e prevê que as regras de equiparação não prevalecem quando a empresa adota plano de cargos e salários por norma interna ou negociação coletiva. Como cada caso tem detalhes, valide o desenho do plano com a assessoria jurídica da empresa.
As três fases do trabalho
As etapas se agrupam em três fases. A primeira descobre o que existe e mede os cargos; a segunda dá valor em reais; a terceira leva o plano para as pessoas.
Estrutura
O que existe e quanto cada cargo vale por dentro.
- Base de cargos e CBO
- Descrição de cargos
- Manual de avaliação
- Avaliação dos cargos
Valor
Quanto pagar, olhando para dentro e para o mercado.
- Classes salariais
- Pesquisa salarial
- Estrutura de faixas
Implantação
Levar para as pessoas com custo conhecido e regra escrita.
- Enquadramento e impacto
- Política salarial
- Aprovação e comunicação
O que reunir antes de começar
Quanto mais organizada estiver a informação no início, mais rápido o projeto anda. A lista abaixo é o ponto de partida:
- Folha de pagamento atual, com cargo, área, salário-base e data de admissão de cada pessoa.
- Organograma, mesmo que simples, com quem responde para quem.
- Descrições de cargo que já existam, mesmo desatualizadas.
- Acordo ou convenção coletiva aplicável, com pisos da categoria e data-base.
- Pesquisas salariais que a empresa já tenha usado.
- Regras informais que já existem: como se promove hoje, quem aprova aumento, que exceções são comuns.
Quem participa
| Quem | Papel no plano |
|---|---|
| Diretoria | Define o posicionamento em relação ao mercado e aprova a estrutura e o custo de implantação. |
| RH | Organiza a base de dados, acompanha cada etapa e será o dono do plano depois da implantação. |
| Gestores | Validam a descrição dos cargos da sua área e participam do comitê de avaliação. |
| Consultoria | Conduz o método, facilita o comitê, monta a estrutura e prepara os documentos para aprovação. |
As etapas, na ordem
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Base de cargos
Levantar todos os cargos que existem de fato, com área, quantidade de pessoas e o que cada um faz. Cargos com nomes diferentes e a mesma entrega são unificados. Cada cargo recebe o código da CBO (Classificação Brasileira de Ocupações), que depois serve para buscar referência de mercado.
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Descrição de cargos
Registrar missão, responsabilidades, requisitos e condições de cada cargo. A descrição é a base da avaliação: sem ela, cada avaliador imagina um cargo diferente.
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Manual de avaliação
Definir os fatores que importam para a empresa (como instrução, experiência, complexidade e responsabilidade), os graus de cada fator e o peso de cada um. Veja o guia de avaliação de cargos por pontos.
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Avaliação dos cargos
Cada cargo é avaliado fator a fator e recebe uma pontuação. O resultado é uma ordem de importância relativa entre cargos de áreas diferentes, que antes não era comparável.
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Classes salariais
Cargos com pontuação parecida são agrupados em classes. Quem está na mesma classe tem a mesma faixa salarial, mesmo em áreas diferentes.
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Pesquisa salarial
Confrontar a estrutura interna com o que o mercado paga. A referência pode vir de pesquisas contratadas, de pesquisas setoriais e de fontes públicas como o Novo CAGED. Veja pesquisa salarial com o Novo CAGED.
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Estrutura salarial
Montar as faixas: piso, referência e teto de cada classe, e os níveis dentro de cada faixa. A empresa decide como quer se posicionar em relação ao mercado e a estrutura segue essa escolha. Veja como montar faixas salariais.
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Enquadramento e impacto
Posicionar cada pessoa na faixa do seu cargo e simular o custo de ajustar quem ficou abaixo do piso. É aqui que entram indicadores como o compa-ratio.
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Política salarial
Escrever as regras de uso do plano: admissão, promoção, mérito, reajustes coletivos, exceções e revisão. Veja o que incluir na política salarial.
O que a empresa recebe no fim
- Catálogo de cargos com descrições e código CBO.
- Manual de avaliação e a pontuação de cada cargo, com a justificativa.
- Tabela salarial com classes, faixas e níveis.
- Enquadramento de cada pessoa e a simulação do custo de implantação.
- Relatório executivo para a diretoria.
- Política salarial escrita e aprovada.
Erros que mais atrasam o projeto
- Começar pela tabela salarial. Sem base de cargos e avaliação, a tabela vira uma foto do que já se paga, com as distorções incluídas.
- Avaliar a pessoa em vez do cargo. A avaliação mede o que o cargo exige, não o desempenho de quem ocupa.
- Pesquisa salarial sem casamento de cargos. Comparar pelo nome do cargo engana. O que se compara é a entrega, e o código CBO ajuda nesse casamento.
- Aprovar sem simular o custo. O impacto na folha precisa estar na mesa da diretoria antes da aprovação, não depois.
- Não registrar as decisões. Um ano depois, ninguém lembra por que um cargo ficou em determinada classe. Registrar cada aprovação evita refazer a discussão.
- Esquecer a comunicação. Um plano bem feito e mal explicado gera mais desconfiança do que a situação anterior. Planeje como gestores e equipes vão conhecer as regras.
Quanto tempo leva
Depende do número de cargos, da qualidade das informações que a empresa já tem e da disponibilidade de quem aprova cada etapa. O que mais encurta o projeto é ter a base de cargos e a folha organizadas desde o início e uma agenda fixa para o comitê de avaliação.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre plano de cargos e salários e tabela salarial?
A tabela salarial é uma das peças do plano: mostra piso, referência e teto de cada classe. O plano inclui também a base de cargos, a avaliação que define a classe de cada cargo, o enquadramento das pessoas e a política com as regras de uso.
Empresa pequena precisa de plano de cargos e salários?
Não existe obrigação legal geral de ter um plano. Mas a partir do momento em que a empresa tem vários cargos e pessoas na mesma função, uma régua comum evita decisões inconsistentes e ajuda a reter talentos. O desenho pode ser mais simples em empresas menores.
De quanto em quanto tempo o plano deve ser revisado?
É comum revisar faixas e pesquisa salarial uma vez por ano e reavaliar cargos quando a estrutura da empresa muda. A periodicidade fica definida na política salarial.
O plano obriga a empresa a dar aumento para todo mundo?
Não. O plano define regras e mostra quem está abaixo do piso da faixa. A empresa decide como e quando ajustar, com base na simulação de custo, e pode fazer isso em etapas.